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  • Palla Kumbaya

Work’n’bong: maconha ajuda ou atrapalha a produtividade no trabalho?

Em tempos de quarentena, dá para fazer do home office uma chapação?

Posso apostar que já passou pela sua cabeça, algum dia, no escritório, que determinada tarefa seria melhor executada sob o efeito de uma bongada. E, de fato, profissionais não apenas usam e abusam dessa estratégia, como alguns possuem até certa licença para tal: artistas, em geral, representam bem a normalização do consumo de maconha na esfera profissional.



Mas, será que o uso de cannabis realmente contribui para a produtividade de mortais que passam o dia preenchendo planilhas, ou de quem precisa tomar decisões importantes? Em tempos de quarentena, dá para fazer do home office uma chapação?

Bem, depende.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso de cannabis pode prejudicar “o desempenho psicomotor em uma ampla variedade de tarefas, como coordenação motora e atenção dividida” e, em casos crônicos, causar perda de atenção e memória, entre outros efeitos.


Por isso, países que estão regulamentando o uso adulto da maconha estudam como isso pode impactar em riscos e perda de produtividade dos trabalhadores. De acordo com um estudo publicado no JAMA (Journal of American Medical Association) citado em artigo da Sociedade para Gestão de Recursos Humanos (SHRM) dos EUA, pessoas que consomem maconha representam 75% mais abstenções ao trabalho do que quem não faz uso.

Por outro lado, à medida que a legalização da maconha se espalha no país, restringir a força de trabalho e selecionar candidatos apenas não usuários fica cada vez mais complicado. “A maioria dessas pessoas usa maconha com responsabilidade, mantém seu emprego e trabalha como todo mundo“, diz Paul Armentano, vice-diretor da NORML, grupo que defende a legalização nacional da cannabis, ao SHRM.


No Canadá, a performance dos maconheiros não foi comprometida como era esperado antes da lei, de acordo com umlevantamento do Ipsos solicitado por uma empresa de recursos humanospouco antes da legalização no país completar um ano. Porém,apenas 8% dos trabalhadores afirmaram usar maconha durante o expediente neste período, isso porque as empresas continuam optando pela restrição ao consumo como política interna.


Enquanto é difícil pensar em cirurgiões ou operadores de máquinas pesadas exercendo plenamente suas funções de cabeça feita, em outros casos, como em posições de menos risco, ou até na emergente indústria canábica, o cenário muda. Mas nem tanto.

Ainda que muitos CEOs de empresas legais de cannabis estejam mais em busca de reforçar o profissionalismo das marcas do que de normalizar o consumo através do exemplo, uma reportagem da Quartz at Work encontrou executivos dispostos a falar sobre seus hábitos canábicos durante o expediente.


Enquanto um disse usar o óleo de cannabis em horário de trabalho “estritamente” para tratar uma condição médica, outros afirmam queextratos, microdoses e subprodutos, sobretudo com CBD, são aliados da rotina produtiva. Em geral, os CEOs não se mostraram adeptos ao baseado digestivo pós-almoço (talvez um vape com CBD), nem permitem o consumo (exceto medicinal) por colaboradores durante o expediente — alguns compensam, porém, nos happy hours.


Se uma session para socializar com clientes ou um brainstorm esfumaçado com a equipe de criação soam como ótimas ideias e, em alguns casos, podem até ser, o fato é que a influência da maconha na produtividade do trabalho passa por questões tão únicas, que a resposta continua a mesma: depende. Do tipo de trabalho, do tipo de maconha, do tipo de pessoa que você é e como você lida com este consumo.


Agora, imaginando um cenário em que a cannabis fosse legalizada no Brasil, tal qual a cerveja, você seria do tipo que pede uma breja na hora do almoço ou que deixa para tomar a gelada no happy hour? Fica a reflexão.

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