Buscar
  • Palla Kumbaya

Sem chocolate, sem foda & sem ganja

Antes de criminalizar a maconha no pós-abolição, o Brasil proibiu o chocolate e até os orgasmos eram perseguidos. Saiba mais...


Os afrodisíacos usados pelos portugueses no Brasil foram bem descritos. Largamente usados nesta parte do mundo, a cannabis sativa, banguê ou maconha era saudada com entusiasmo.


Garantia a ereção, o Viagra de então. Além da maconha, o bétel, uma folha, muito utilizada em regiões do Oceano Índico, era mascada com a mesma intenção.

Seria a maconha um substituto natural do viagra?





Banana e amendoim

O primeiro a estudar as plantas afrodisíacas no Brasil foi um holandês de nome Guilherme Piso. Segundo ele, tanto a “bacopa (uma folhagem com flores brancas) quanto a banana são consideradas plantas que excitam o venéreo adormecido“. Sobre o amendoim registrou: “os portugueses vendem diariamente o ano todo, afirmando que podem tornar o homem mais forte e mais capaz para os deveres conjugais”.


Da jaca ao saco do galo

Em 1697, um livro descrevia nada menos que dezenove plantas e partes de animais como afrodisíacos. Do saco do galo ao cérebro do leopardo e formigas voadoras, a lista tinha predileção pela jaca. Também aconselhava o uso de pinhões, alho-poró e, acreditem, urtigas.

A lista inversa, para “diminuir os ardores”, mencionava o chumbo, o mármore e o pórfiro.


A igreja proíbe o chocolate: entra o café

A igreja era vigilante. O chocolate, vindo do México, anteriormente usado até no jejum católico, começou a ser condenado por provocar “excesso de calor”. As mulheres e homens alucinavam de desejo sexual comendo chocolate. Em vez de usar, os padres passaram a aconselhar o “antierótico café”. “Tomou, brochou”, diziam os clérigos. Começava um novo tempo “casto, econômico e produtivista” (nada a ver com o espírito do país atual).


A economia do esperma

Quem imaginou alguma relação com o Brasil atual, errou. A economia de que falamos é de esperma, assim como a sua produção. Nos anos 1600, começa uma censura ao sexo. Era causa de perturbações de saúde e de moléstias contagiosas. A igreja impõe uma nova moral. Vence a batalha contra o sexo liberado desde quando aportaram as primeiras caravelas nesta terra de mulheres desnudas. O prazer é combatido, torna-se a maior causa dos males do corpo. O esperma tinha de ser economizado custe o que custar.


A contagem das relações sexuais

Começam a contar as vezes que um homem pode ter orgasmo. Jovens: duas vezes por semana. Aos 40: três vezes por mês e após os 50, nenhuma, a aposentadoria sexual. Ao mesmo tempo, descobrem que as mulheres são capazes de muitos orgasmos em uma só noite. Criam a noção da mulher pecaminosa. E dão número para esse pecado: uma mulher equivaleria a dois homens e meio. Nada como um país que se preocupa com o que acontece com um homem e uma mulher entre quatro paredes. A falsidade moralista vem de muito longe.



0 visualização
whatsapp-logo-icone.png

©2020 Palla Brasil |  Rua Luiz Augusto Ferreira, 275 | São Paulo/SP | CEP 05883-110